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Publicado em Ago 21, 2015 em Destaques, Notícias, Ver tudo

Na rota das queimadas e da fumaça

 

Todos os anos, agosto marca o início de dias com baixa humidade do ar, pouca chuva e temperaturas elevadas durante o dia no centro-sul do país.

Essa combinação de fatores é uma fórmula infalível para o deterioro da qualidade do ar, já que, sob condições estagnantes, os poluentes se acumulam na atmosfera, persistindo por vários dias. A qualidade do ar em cidades como Londrina é afetada não só pelas fontes comumente encontradas no núcleo urbano ̶ como veículos e indústrias ̶ mas também pela queima de lixo doméstico e o transporte de poluentes de outras regiões.

No dia 18 de agosto Londrina ficou parcialmente imersa em uma nuvem de fumaça que reduziu a visibilidade e produziu olores incômodos. O fenômeno se deu devido à rotação do vendo para o quadrante norte que trouxe fumaça das queimadas que ocorrem no estado de São Paulo. O evento de poluição foi detectado pelos monitores de qualidade do ar da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, que registraram um aumento imediato do poluente black carbon (“fuligem”, no idioma português) e de material particulado fino (MP2,5, correspondente a partículas com diâmetro menor que 2,5 micrômetros).

A figura abaixo mostra os níveis desses poluentes (a área quadriculada na figura corresponde ao período do evento). As concentrações de BC passaram de cerca de 2 µg/m3 às 14 hrs para 10 µg/m3 no pico do evento (próximo das 16 hrs) e as concentrações de MP2,5 de 20 para 400 µg/m3.

 

 

Os dados do SIMEPAR (Instituto Tecnológico do Paraná) mostram que às 19 hrs o vento girou de norte para oeste, o que coincide com a penetração de uma frente fria e início de chuva na região de Londrina. A linha vermelha representa a trajetória percorrida pelo vento nas 24 horas que antecederam o evento, e indica que o ar foi transportado do estado de São Paulo para o norte do Paraná.

No gráfico de poluentes fica claro que as concentrações começam a baixar a partir das 19 hrs e a atmosfera retorna para um estado mais limpo.

 




 

O black carbon é um poluente oriundo da queima de combustíveis fosseis e biomassa, afeta o clima e é nocivo à saúde humana, causando doenças respiratórias e até mesmo câncer.

O período de seca na região costuma estender-se até outubro. A população deve ficar alerta para outros eventos como este e evitar queimar lixo nos quintais e áreas públicas, o que contribui para o deterioro da qualidade do ar.

As observações de qualidade do ar em Londrina fazem parte do projeto CNPq “Concentração de poluentes climáticos de vida curta” gerenciado pelo Dr. Admir Creso Targino.